Presença de Lula, anunciado para evento de inauguração do Hospital Regional para esta sexta-feira (19) vira alvo de questionamentos; até esta terça (16/06), compromisso não consta nos registros do Planalto, e o presidente segue em viagem à Europa.
A anunciada vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Divinópolis, programada para a próxima sexta-feira, dia 19 de junho, abriu uma intensa disputa por protagonismo político e nos deixa uma pergunta incômoda.
O evento vai mesmo acontecer ou estamos diante de uma grande falha de comunicação institucional?
A agenda, que prevê a inauguração do tão aguardado Hospital Regional, uma das obras mais simbólicas e arrastadas da história recente do município.
Tem sido conduzida de forma centralizada pela tesoureira nacional do PT, Gleide Andrade. No entanto, a falta de transparência e o isolamento de lideranças locais criaram um clima de profundo mal-estar nos bastidores.
Presidente na Europa e sem credenciamento
O primeiro e mais grave ponto de interrogação que paira sobre este evento diz respeito à total ausência de oficialização por parte dos órgãos federais.
Até a publicação desta reportagem, na tarde desta terça-feira, 16 de junho de 2026, a suposta visita de Lula a Divinópolis não constava em nenhuma linha da agenda oficial do presidente da República, (CLIQUE AQUI) material que é atualizado periodicamente pelo Palácio do Planalto.
Mais do que isso, cabe o questionamento geográfico: o presidente Lula encontra-se neste exato momento em viagem internacional, cumprindo compromissos oficiais na Europa.
Como uma agenda de tamanha importância para o interior de Minas Gerais cravada para daqui a três dias se o chefe do Executivo sequer retornou ao país?
Para os profissionais de comunicação da região, o apagão de dados é ainda mais evidente. Até o presente momento, o sistema de credenciamento de imprensa do Palácio do Planalto não foi disponibilizado para que jornalistas possam se cadastrar.
Em qualquer visita presidencial, o credenciamento dos veículos de mídia aberto com dias de antecedência por razões estritas de segurança do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O silêncio das plataformas oficiais acende o sinal de alerta sobre a real viabilidade do evento na data anunciada.
Alexandre Padilha também fora da agenda
Os ruídos de comunicação não param no Palácio do Planalto. O entorno de Gleide Andrade também anunciou com entusiasmo que o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, integraria a comitiva presidencial em Divinópolis.
No entanto, o padrão se repete: a visita também não consta na agenda oficial do ministro. (CLIQUE AQUI), O Ministério da Saúde e não emitiram nenhuma nota ou previsão de atividade em solo divinopolitano para esta semana.
Alimentando ainda mais as críticas sobre o amadorismo e a falta de lastro institucional na condução das conversas.
Isolamento e Disputa de Protagonismo nos Bastidores
A forma como Gleide Andrade centralizou as articulações gerou revolta generalizada. Segundo informações de bastidores, nem mesmo os dirigentes do PT em Minas Gerais e integrantes do próprio grupo político da tesoureira tinham conhecimento prévio da visita.
Lideranças históricas que participaram ativamente de cada etapa para viabilizar o Hospital Regional reclamam publicamente que sequer consultadas ou sondadas sobre o comparecimento.
O isolamento atinge diferentes espectros políticos:
- Gleidson Azevedo (Republicanos): O ex-prefeito, que acompanhou as discussões de transição e participou de reuniões ao lado da própria Gleide no passado, confirmou que não recebeu nenhum convite oficial. Ele garantiu, porém, que pretende comparecer ao evento para defender a fatia de esforço do município na entrega da unidade.
- Deputada Lohanna França (PV): Autora do projeto primordial que autorizou a transferência do imóvel do hospital para a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), a parlamentar até o momento da publicação não tinha o convite oficial.
- Esquerda Local: Militantes, que sustentaram o debate, queixam-se da total falta de diálogo e da tentativa de exclusão em prol de um palanque individualizado.
- Domingos Sávio (PL): O deputado federal, que destinou emendas e trabalhou na pauta por anos, deve ficar totalmente de fora. Por ser pré-candidato ao Senado pela oposição, interlocutores veem sua participação como improvável.
O clima tenso dividiu até a bancada dos irmãos Azevedo na Assembleia e no Congresso. Enquanto o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) defendeu uma postura de recepção, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) criticou duramente a visita.
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