A ausência de um “banheiro familiar” expõe pais e mães a dilemas morais, constrangimentos e preconceito institucional; jornalista e pai relata cenas de grosseria e humilhação ao tentar garantir o direito básico de sua filha de apenas 4 anos.
Até quando as estruturas comerciais de Divinópolis vão ignorar a evolução social e as reais necessidades das famílias que sustentam o seu faturamento?
Em pleno ano de 2026, o Shopping Pátio Divinópolis — um empreendimento que caminha a passos largos para comemorar 20 anos de existência e que se autoproclama um centro de modernidade e convivência.
Protagoniza uma vergonhosa e inaceitável falha de planejamento inclusivo. O motivo da indignação, que ecoa no peito de centenas de pais e mães de nossa cidade, é a total e completa falta de um banheiro familiar.
O modelo tradicional de sanitários, rigidamente divididos por gênero, foca em um padrão ultrapassado e fecha os olhos para a pluralidade das novas configurações familiares, que hoje incluem mães e pais solos. A ausência de um espaço neutro e seguro gera um cenário de impotência, revolta e desrespeito flagrante aos direitos fundamentais de proteção à infância.
O Limbo do Desfralde: Quando o Fraldário Deixa de Atender
Muitos defensores da atual estrutura do shopping costumam argumentar que o estabelecimento dispõe de um fraldário.
No entanto, o que a administração do Pátio Divinópolis parece não compreender é que o fraldário atende exclusivamente a bebês. O que acontece quando a criança cresce, passa pelo processo de desfralde e já não utiliza mais fraldas, mas ainda é pequena demais para usar o banheiro de forma independente?
É nesse limbo estrutural que os pais são empurrados para situações de extremo desconforto e risco. Muitas vezes, os fraldários existentes estão anexos ou embutidos exclusivamente na área dos sanitários femininos, o que bloqueia completamente o acesso de pais homens. Além disso, esses espaços não contam com vasos sanitários de tamanho infantil, obrigando os adultos a realizarem verdadeiros malabarismos em estruturas inadequadas.
A dinâmica se torna um pesadelo: se uma mãe precisa levar o filho menino ao banheiro feminino, já enfrenta olhares tortos e constrangimento tanto para ela quanto para a criança.
Contudo, a situação atinge níveis alarmantes de complexidade quando o pai precisa levar a sua filha menina ao banheiro. Ele não pode e não deve entrar no banheiro feminino, e colocá-la para frequentar o banheiro masculino a expõe a um ambiente visualmente inadequado e desconfortável.
Relato de uma humilhação: O absurdo ocorrido no Pátio Divinópolis
Esta lacuna arquitetônica e a falta de sensibilidade geram feridas reais. Eu, Fabrício Salvino, pai de uma menina de apenas 4 anos, decidi quebrar o silêncio e expor a revolta que vivi na pele. Não foi a primeira vez que eu passei por apertos no Shopping Pátio Divinópolis devido a esse problema.
Mas os fatos registrados na última terça-feira, 9 de junho de 2026, ultrapassaram qualquer limite tolerável de civilidade.
Buscando evitar o fluxo intenso e garantir a privacidade a minha filha, levei aos sanitários do primeiro piso do shopping, teoricamente mais vazios. De forma prudente e respeitosa, eu aguardou uma cliente sair do banheiro feminino e perguntei se havia mais mulheres lá dentro. A cliente informou que o local estava vazio, contando apenas com a presença de uma funcionária encarregada da limpeza.
Alternativa segura
Eu vi ali uma alternativa segura: a presença de uma funcionária da própria empresa poderia ser um ponto de apoio para que eu pudesse auxiliar a minha filha no reservado.
Enquanto a colaboradora monitorava a porta e explicava a situação para eventuais usuárias que chegassem. Infelizmente, o que eu foi o reflexo de um profundo despreparo humano e institucional.
Em vez de acolhimento e orientação, eu e minha filha fomos recebidos com grosseria, hostilidade e uma total falta de educação.
A funcionária barrou a entrada, afirmando de maneira ríspida que eu não poderia permanecer ali de forma alguma e que “não havia outra opção”.
Chegando ao ápice do absurdo, sugeriu que deixasse minha filha de 4 anos entrar sozinha ou sob a responsabilidade de terceiros estranhos no banheiro.
Portanto, agindo de forma truculenta, o que configurou uma expulsão velada.
Eu não posso deixar minha filha de 4 anos entrar sozinha em um banheiro com pessoas estranhas. Isso é colocar minha filha em uma situação de vulnerabilidade e constrangimento. Já é humilhante ela precisar usar o banheiro e ser impedida. Falo impedida pelo fato de ela não conseguir fazer suas necessidades sozinha e o seu responsável legal ser barrado de forma grosseira ao tentar auxiliá-la.
O impacto psicológico desse tratamento hostil acabou imediatamente absorvido pela minha filha. O constrangimento gerou traumas imediatos.
Que passou o restante do passeio me questionando, o porquê de ela ter sido proibida de usar o banheiro e por que aquela mulher havia expulsado.
Reflexo do preconceito e promessas desde 2024
A postura do shopping não é apenas uma falha técnica de engenharia, mas sim uma demonstração do preconceito contra os pais homens que exercem a paternidade os novos formatos familiares.
O shopping falha ao não treinar seus colaboradores e terceirizados para lidar com as exceções e urgências que envolvem a dignidade de menores de idade.
A situação se torna ainda mais grave quando analisamos o histórico de promessas da administração. Em uma reportagem publicada anteriormente, em outubro de 2024, a própria gerência do Shopping Pátio Divinópolis admitiu publicamente que havia identificado essa demanda urgente por acessibilidade familiar.
Na época, garantiu que o corpo de arquitetos do empreendimento estava desenvolvendo e implementando mudanças estruturais no complexo como um todo.
E que a melhoria dos banheiros estava sob avaliação prioritária.
A pergunta que o Portal Centro-Oeste Notícias faz em tom de cobrança: de outubro de 2024 até junho de 2026, quase dois anos se passaram e absolutamente nada feito?
Quanto tempo leva para que a promessa de um arquiteto se transforme em um vaso sanitário infantil e uma tranca em uma porta?
O posicionamento do shopping e a cobrança da população
A administração do Shopping Pátio Divinópolis, em nota, informou que “o estabelecimento se encontra em fase de projeto e reestruturação dos seus espaços comuns”.









