Sob a justificativa burocrática de “vício de iniciativa”, o Planalto sepulta o sonho histórico da comunidade acadêmica mineira. Enquanto estudantes, servidores e a unidade de Divinópolis lamentam o duro golpe, o silêncio ensurdecedor dos diretórios locais e das lideranças petistas expõe a velha máxima: na política partidária, a lealdade ao projeto de poder sempre fala mais alto do que a defesa da educação.
Há poucos discursos mais repetidos, ensaiados e romantizados no Brasil do que aquele que coloca o Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados no pedestal de salvadores da pátria da educação pública.
Sempre que convém, palanques se enchem de bandeiras, discursos inflamados ecoam sobre a importância do ensino tecnológico, e jovens são convocados às ruas sob o pretexto de que é preciso “lutar pelo futuro do país”.
Mas, como diz o velho ditado, na hora em que o dinheiro, a caneta e o Diário Oficial entram em cena, a retórica desaba e dá lugar à crua e fria realidade dos gabinetes de Brasília.
No último dia 31 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o veto integral ao Projeto de Lei 5.102/2023 que previa a transformação do Cefet em Universidades Tecnológicas Federais.
Com a canetada, o governo federal não apenas sepultou temporariamente uma demanda histórica construída ao longo de mais de duas décadas.
Como também desferiu um duro golpe em centenas de estudantes, professores e servidores, com destaque direto para o campus de Divinópolis.
O Veto, a Desculpa do “Vício” e a Decepção em Divinópolis
Se aprovada, a mudança transformaria o Cefet-MG na Universidade Tecnológica Federal de Minas Gerais (UTFMG), integrando automaticamente todos os seus nove campi.
Portanto, preservando os cursos técnicos e garantindo acesso a verbas e editais de pesquisa exclusivos para universidades federais.
A resposta do Palácio do Planalto, endossada por ministérios e pela Advocacia-Geral da União (AGU), veio em formato de desculpa burocrática: “vício de iniciativa”. O governo argumentou que a criação ou transformação de autarquias é competência exclusiva do Executivo.
A pergunta que fica é inevitável e indigesta para os defensores do atual governo: se a pauta era justa, amplamente debatida, aprovada por comissões e validada pelo plenário do Senado, por que o próprio governo não abraçou a causa em vez de triturá-la juridicamente?
O Cefet-MG expressou sua “profunda decepção” com a decisão. Em Divinópolis, onde o campus representa um polo vital de formação técnica e tecnológica de excelência para toda a região Centro-Oeste, o sentimento é de revolta e abandono.
O Silêncio Ensurdecedor dos “Defensores da Educação” em Divinópolis
O que mais choca nesta narrativa, contudo, não é apenas a canetada fria de Brasília, mas o comportamento dos atores locais.
Onde estão os gritos de protesto? Cadê os manifestos inflamados? Onde se meteram os diretórios estudantis, os movimentos de juventude e os militantes de esquerda em Divinópolis?
Mais grave ainda é a covardia do silêncio das lideranças políticas do PT e de partidos coligados na cidade. Aqueles mesmos políticos que posam de defensores intransigentes da classe trabalhadora e da educação pública em épocas de eleição encontram-se hoje em um estado comatoso de mutismo.
Nenhum grande manifesto regional, nenhuma nota dura de cobrança enérgica contra o próprio Planalto foi emitida.
Para essa patota partidária, criticar o governo federal quando ele comete um ato nocivo à cidade e aos estudantes locais parece ser um pecado imperdoável. A ideologia partidária e a conveniência política foram colocadas, mais uma vez, acima do desenvolvimento educacional de Divinópolis. É a prova cabal de que, para muitos, a educação só serve de palanque enquanto rende votos.
Portanto, quando vira obstáculo para a burocracia do partido no poder, o caminho escolhido é o abaixamento de cabeça e o silêncio cúmplice.
Promessas Vagas e a Vergonha na Cara
Após o estrago feito, o Ministério da Educação (MEC) veio a público alegar que é a favor da pauta e prometeu o “envio imediato de um novo projeto de lei” para corrigir o problema.
Trata-se de um tapa na cara da sociedade acadêmica. Se o governo realmente quisesse valorizar o Cefet e a educação tecnológica.
Portanto, teria evitado o veto ou construído uma alternativa legislativa em conjunto antes de massacrar um projeto maduro aprovado pelo Congresso.
Enquanto Brasília brinca de burocracia e os políticos de estimação de Divinópolis fingem que nada está acontecendo.
) campus local e seus alunos continuam arcando com o prejuízo de uma gestão federal que fala muito em educação nos discursos, mas na prática entrega veto.










