Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e presidente do PL Mulher aplaude Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos lançada pelo MEC; nos bastidores, ex-primeira-dama anuncia saída de cargo partidário após forte atrito público com o enteado Flávio Bolsonaro.
Em um movimento político e social que chamou a atenção do país, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro veio a público para elogiar uma medida oficial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Michelle classificou como “a realização de um sonho” o lançamento da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS), apresentado pelo Ministério da Educação (MEC).
Historicamente engajada em pautas ligadas à comunidade surda, à inclusão e ao ensino de Libras (Língua Brasileira de Sinais), a ex-primeira-dama deixou de lado a polarização política partidária para celebrar o avanço institucional da pauta que defende há anos.
O Programa do MEC: Autonomia e Estrutura em Seis Eixos
A nova política nacional do MEC tem como objetivo principal assegurar a oferta qualificada, o acesso, a permanência e o êxito escolar de estudantes que necessitam dessa modalidade de ensino. O público-alvo da iniciativa engloba:
- Estudantes surdos e surdocegos;
- Pessoas com deficiência auditiva sinalizantes;
- Surdos com altas habilidades ou superdotação;
- Surdos que possuam outras deficiências associadas.
Para garantir a aplicabilidade prática, a PNEBS está estruturada em seis eixos fundamentais, que envolvem desde a formação de profissionais especializados e a elaboração de materiais didáticos específicos até diretrizes curriculares próprias, fomento à produção de conhecimento e o fortalecimento da coordenação entre os entes federativos (municípios, estados e União).
Em suas redes sociais, Michelle Bolsonaro comemorou a independência da pauta. “A educação bilíngue de surdos tornou-se uma modalidade separada da Educação Especial, trazendo mais autonomia e protagonismo para a comunidade surda. É um sonho realizado! Seguimos trabalhando por um Brasil mais acessível e com oportunidades para todos”, publicou. Ela atribuiu o mérito da conquista à mobilização e resiliência da própria comunidade surda.
Bastidores: Crise Familiar e Saída do PL Mulher
Apesar do tom de celebração na área social, os bastidores políticos de Michelle Bolsonaro enfrentam um período de forte turbulência. Paralelamente aos elogios ao programa do MEC, a ex-primeira-dama confirmou sua saída da presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, confirmou o afastamento, justificando que a correligionária passa por um “momento difícil”.
A saída ocorre logo após vir a público uma grave rusga familiar e política entre Michelle e seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, em um vídeo publicado nas redes sociais, Michelle acusou Flávio de tê-la humilhado e maltratado durante uma conversa por telefone devido a divergências sobre a articulação do partido no estado do Ceará. Ela revelou que cortou relações pessoais e políticas com o senador desde o fim de 2025.
Portanto, pressionado pelas declarações, Flávio Bolsonaro rebateu as acusações, alegando que a ex-primeira-dama estava “completamente desinformada” e cravou que “nunca humilhou uma mulher na vida”.
Além disso, Michelle justificou que o seu afastamento da liderança do PL Mulher servirá para que ela possa se “dedicar, integralmente, aos cuidados com o marido e a filha”. Ela negou que o movimento represente um racha ou competição interna na direita: “Para ficar claro: eu não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno”, ponderou.










