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Editorial: A votação que exigiu coragem política na Câmara de Divinópolis

Editorial: A votação que exigiu coragem política na Câmara de Divinópolis

Enquanto vereadores de oposição usam servidores como palanque eleitoral e invadem a Mesa Diretora por engajamento, maioria na Câmara demonstra coragem, desmonta narrativas falsas e garante o futuro do pagamento das aposentadorias.

Preste bem atenção nesses vereadores: Ana Paula do Quintino, Anderson da Academia, Breno Júnior, Flávio Marra, Hilton de Aguiar, Matheus Dias, Ney Burguer, Rodyson do Zé Milton, Walmir Ribeiro, Washington Moreira e Weligton Well.

Em uma votação extremamente tensa, onde o caminho mais fácil seria lavar as mãos e buscar o aplauso imediato das redes sociais, escolheram o caminho da responsabilidade.

Junto a eles, o presidente da Câmara, Israel da Farmácia, demonstrou uma liderança firme: mesmo debaixo de pesadas críticas e pressões, manteve o equilíbrio e não permitiu que o debate saísse dos trilhos, segurando o projeto em pauta.

Atitude madura

No entanto, o que tornou a atitude desses 11 vereadores verdadeiramente madura não foi apenas o voto favorável, mas a sensibilidade de ouvir.

Eles entenderam a legítima preocupação e a angústia dos servidores municipais e, por meio de muita articulação interna com o Executivo, trabalharam para que modificações importantes fossem feitas no texto, garantindo que nenhum direito adquirido fosse tocado.

Diferente do que vem sendo propagado de forma mentirosa por alguns vereadores de oposição nas redes sociais, houve diálogo sim. A narrativa de que o projeto foi “atropelado” cai por terra diante dos fatos. A Prefeitura realizou uma audiência pública para debater a matéria, mas os sindicatos e os opositores presentes simplesmente não quiseram ouvir.

Caminho dos ataques

Preferiram o caminho dos ataques, inclusive insultos pessoais e de gênero contra a prefeita Janete Aparecida e sequer apresentaram uma única proposta técnica ou contraproposta. Levaram apenas barulho e desrespeito. A verdade é que a prefeita conversou pessoalmente com cada um dos vereadores para tratar da reforma.

Além disso, esse tema não é novidade para ninguém: os atuais presidentes de sindicatos sabem da necessidade dessa reestruturação desde 2004.

E o assunto já vinha sendo discutido abertamente desde 2021, ainda durante a pandemia. Os mesmos opositores que hoje gritam que “faltou diálogo” esquecem que o projeto foi adiado por 30 dias.

Mas em ano eleitoral, a verdade vira artigo de luxo. É muito mais fácil induzir o servidor ao erro e usá-lo como palanque político do que assumir a responsabilidade de governar. O plano dessa oposição é vencer a eleição a qualquer custo, nem que para isso precisem passar por cima do futuro de Divinópolis.

Armadilha para os servidores

Infelizmente, muitos servidores só vão entender a armadilha e a mentira em que caíram quando olharem para a sua folha de pagamento e compreenderem a realidade do desconto. O mais irônico é que esses vereadores que reclamam de falta de portas abertas sequer procuraram o Poder Executivo para construir uma alternativa à reforma.

Isso inclui parlamentares historicamente ligados à causa sindical e um outro que agora resolveu virar oposição ferrenha. Afinal, quando o sujeito é pré-candidato a qualquer coisa — seja a deputado, a vereador, a capitão de time ou a síndico de prédio —, ele vira aquela típica “folha de bananeira” que faz de tudo para aparecer mais que os outros. Escolher o lado que teoricamente dá mais votos é fácil; difícil e honrado é ser responsável e não jogar para a galera.

Invasão da mesa diretora

Essa busca desenfreada por engajamento político atingiu o seu limite na vergonhosa invasão da mesa diretora da Câmara. É preciso deixar claro: o fato de a Câmara ser a “casa do povo” não dá o direito a ninguém de fazer baderna e vandalismo. Invasão é vandalismo, ponto final.

Ser um espaço democrático não significa aceitar que façam o que bem entendem, que quebrem regras de civilidade ou que impeçam o trabalho dos representantes eleitos. Mas claro, para quem vive de aparências, o que importava ali não era o futuro do Diviprev. O que estava em jogo de verdade eram os cortes para as redes sociais, os vídeos lacradores e os “likes”. Isso sim parecia prioritário para eles.

Essa postura de diálogo e enfrentamento real dos problemas contrasta fortemente com o discurso hipócrita daqueles que usam a causa do funcionalismo apenas como trampolim político.

É um absurdo ver vereador que enche a boca para exigir que o governo “corte na carne”, mas que há pouco tempo votou a favor do aumento dos próprios salários e do número de cadeiras na Câmara para as próximas legislaturas.

Mais vergonhoso ainda é usar a tribuna para dizer, em tom de deboche, que o seu próprio salario não atrasa. É óbvio que não atrasa, vereador! O orçamento da Câmara é repassado de forma carimbada e garantida por lei desde o início do ano.

É muito fácil posar de herói da resistência quando o seu bolso está 100% blindado, enquanto o servidor público corria o risco real de ficar sem aposentadoria no futuro por pura falta de responsabilidade fiscal de quem deveria zelar pela cidade.

Emenda Constitucional 103 de 2019

A verdade nua e crua é que se essa adequação à lei federal (a Emenda Constitucional 103 de 2019) não passasse, Divinópolis iria quebrar.

Não estávamos lidando com uma escolha simples, mas sim com a ameaça real de um colapso financeiro que iria paralisar os postos de saúde, UPA e as obras de infraestrutura que atendem os nossos quase 250 mil habitantes.

Nem a prefeita Janete Aparecida e nem nenhum dos 17 vereadores queriam mexer em regras previdenciárias — afinal, o servidor municipal é o coração que faz a cidade funcionar e merece todo o respeito do mundo. Mas a reforma era a única saída para estancar o rombo do Diviprev e salvar o sistema da falência.

Não é uma disputa de “vencedores contra vencidos”

Como a prefeita Janete Aparecida bem destacou, esse momento doloroso não é uma disputa de “vencedores contra vencidos”, e a tristeza de quem trabalha na linha de frente da prefeitura é totalmente justa e compreensível. Ninguém gosta de ver regras mudando após anos de dedicação.

Mas o tempo é o senhor da razão. Daqui a alguns anos, os próprios servidores vão perceber que a votação dessa matéria, por mais amarga que tenha sido agora, foi o que salvou o futuro de suas famílias, garantindo que quando eles se aposentarem, o dinheiro vai estar lá, depositado em dia na conta.

Divinópolis superou a crise porque a maioria dos seus representantes escolheu a verdade e a segurança do servidor, em vez do teatro da política.

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