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Deputada Lohanna França aciona Ministério Público por sumiço de acervo do Palácio das Mangabeiras

Deputada Lohanna França aciona Ministério Público por sumiço de acervo do Palácio das Mangabeiras

Parlamentar aponta sumiço de acervo, condições precárias de armazenamento e falta de transparência na gestão do imóvel que foi residência oficial dos governadores mineiros.

A gestão do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais, está sob investigação. A deputada estadual Lohanna França (PV) protocolou uma “Notícia de Fato” junto à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e do Patrimônio Cultural do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), solicitando uma apuração rigorosa sobre possíveis irregularidades na preservação e destinação do acervo histórico e artístico do imóvel.

A iniciativa, que surge após meses de fiscalização intensiva por parte da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa (ALMG), busca esclarecer onde estão as peças históricas que tradicionalmente compunham o Palácio e em que condições elas foram mantidas.

O “Desaparecimento” do Acervo

Durante uma visita técnica oficial ao local, parlamentares constataram um cenário alarmante: grande parte do mobiliário histórico e das obras de arte havia simplesmente desaparecido.

Segundo registros da própria Assembleia, o que restou de um dos acervos mais importantes do Estado limita-se a um sofá, duas poltronas, uma mesa de centro e um piano.

A situação ganhou contornos de preocupação após depoimentos colhidos em audiências públicas. O secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas José de Oliveira, admitiu que, ao assumir a gestão em 2023, encontrou o acervo já retirado. Segundo o secretário, a movimentação teria ocorrido ainda em 2019, sob responsabilidade do Gabinete Militar do Governador. Mais grave ainda: o titular da pasta relatou ter encontrado obras de arte armazenadas inadequadamente, cobertas apenas por lençóis e com claros sinais de deterioração.

“O Patrimônio Pertence aos Mineiros”

Para a deputada Lohanna, a questão central não é o uso do imóvel, mas a garantia de que a legislação cumprida e a memória histórica preservada.

“A população precisa ter a garantia de que um patrimônio que pertence aos mineiros tratado com responsabilidade, transparência e respeito à sua importância histórica. Estamos falando de bens públicos que fazem parte da memória do Estado e que precisam ser preservados”, afirma a parlamentar.

A Notícia de Fato apresentada ao MPMG exige respostas imediatas para uma série de pontos críticos:

  • Inventário: Onde estão os inventários atualizados dos bens retirados?
  • Conservação: Quais são as reais condições de armazenamento das peças?
  • Responsabilidade: Quais foram as circunstâncias e quem autorizou a retirada do acervo em 2019?
  • Destinação: Qual é a atual utilização do Palácio e a destinação final de cada item do acervo histórico?

Fiscalização Parlamentar

A representação protocolada por Lohanna é fruto de um trabalho robusto de fiscalização. Além da visita in loco, a deputada reuniu documentos, registros fotográficos e informações oficiais que sustentam a denúncia.

Além disso, o objetivo da parlamentar é garantir que o interesse coletivo prevaleça sobre a falta de transparência, assegurando que o patrimônio cultural não seja apenas preservado fisicamente, mas que mantenha sua função social e acesso garantido à população.

Portanto, o MPMG agora deve analisar a representação para definir os próximos passos da investigação sobre o que, para muitos, representa um verdadeiro descaso com a história de Minas Gerais.

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