A transformação da estrutura em hospital universitário da UFSJ é uma vitória coletiva de prefeitos, deputados e, primordialmente, dos vereadores 25ª Legislatura da Câmara Municipal; a tentativa de monopolizar os louros da conquista para fins eleitorais em outubro é um desrespeito à cronologia dos fatos e um insulto à cidadania divinopolitana.
Há uma máxima no universo da ciência política que nos lembra que as grandes obras públicas de saúde possuem muitos pais na hora da inauguração, mas costumam ser tratadas como órfãs desamparadas durante os longos, tortuosos e penosos anos de paralisação, abandono e burocracia.
O cenário que assistimos hoje em Divinópolis, em torno da abertura e da transição do Hospital Regional para a condição de hospital universitário vinculado à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), ilustra com precisão cirúrgica esse fenômeno de amnésia coletiva convenientemente forjada pelo calendário eleitoral.
Papel político
As paredes daquele gigante de concreto, erguido no município, não foram levantadas por um passe de mágica institucional ou pelo esforço isolado de um ou outro ator político de última hora.
Cada tijolo, cada emenda parlamentar, cada termo de ajustamento de conduta, e cada votação em plenário que garantiu a sobrevivência jurídica daquele complexo hospitalar ao longo de quase duas décadas representa o suor, a articulação e a persistência de uma extensa rede de agentes públicos.
Prefeitos de diferentes mandatos, governadores, secretários de Estado, deputados federais e estaduais de oposição e de situação, e, de maneira absolutamente primordial, os vereadores de Divinópolis desempenharam papéis estruturais nessa jornada.
No entanto, à medida que o mês de outubro de 2026 se aproxima, trazendo consigo o peso das urnas, as disputas pelas vagas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e no Congresso Nacional, assistimos a um espetáculo deprimente de oportunismo.
Agentes políticos da atual legislatura e do cenário estadual tentam, de forma despudorada, confiscar os louros dessa vitória. Criam uma narrativa fictícia em suas redes sociais, onde aparecem como os únicos salvadores da pátria, como se o hospital estivesse abrindo as portas exclusivamente graças às suas atuações individuais dos últimos meses.
É bem verdade que esses atores trabalharam e somaram esforços na reta final do processo; negar isso seria injusto. Mas tomar para si a paternidade exclusiva de uma epopeia de anos, reduzindo o esforço alheio a uma nota de rodapé e empurrando para o escanteio figuras históricas que carregaram o piano nos momentos mais sombrios da obra, é mais do que uma injustiça política: é um insulto à memória da cidade e uma profunda falta de respeito com quem pavimentou o caminho.
Décadas de Luta: A Cronologia dos Prefeitos e a Luta Inicial
Para compreendermos a dimensão da injustiça que se tenta cometer hoje nos palanques improvisados da internet.
É mandatório fazer um resgate cronológico, minucioso e prolixo da história do Hospital Regional de Divinópolis.
A necessidade de um polo macrorregional de saúde na cidade foi desenhada no início dos anos 2000, diante do estrangulamento da rede de urgência e emergência e da dependência crônica do transporte sanitário rumo a Belo Horizonte.
O projeto começou a ganhar contornos reais de engenharia civil no mandato do ex-prefeito Demetrius Arantes Pereira, período em que as primeiras tratativas de terreno e os convênios iniciais com o Governo do Estado de Minas Gerais foram alinhavados.
Posteriormente, durante a gestão do ex-prefeito Vladimir Azevedo, a obra ganhou ritmo físico e enfrentou os primeiros e grandes desafios de engenharia e repasses financeiros.
Vladimir e sua equipe técnica realizaram sucessivas viagens a Belo Horizonte e Brasília, articulando com as secretarias estaduais de saúde e ministérios a liberação de parcelas que mantivessem os canteiros ativos.
Na sequência, a administração do ex-prefeito Galileu Teixeira Machado deparou-se com o período mais crítico do projeto: o esvaziamento dos cofres estaduais, a paralisação total das obras por parte das empreiteiras e a necessidade de travar batalhas jurídicas complexas para preservar a integridade física da estrutura abandonada, que sofria com a ação do tempo e o risco de vandalismo.
Ex-prefeito Gleidson Azevedo e prefeita Janete
Mais recentemente, a gestão municipal, sob o comando do ex-prefeito Gleidson Azevedo e da prefeita Janete Aparecida precisou lidar com o imenso desafio de redimensionar o perfil do hospital.
Diante da impossibilidade financeira de o município arcar com o custeio operacional de uma estrutura daquele porte, a atual administração, em parceria com lideranças de peso do Partido Verde, como a deputada estadual Lohanna França e o vereador Rodyson do Zé Milton, do deputado Eduardo Azevedo, além da decisiva mediação da tesoureira nacional do PT, Gleide Andrade.
Portanto, que costurou a histórica transição da unidade para o modelo de hospital universitário gerido pela UFSJ. Essa engenharia política e educacional garantiu que o governo federal assumisse a responsabilidade financeira e estrutural definitiva.
Como se vê, foram necessários mais de quatro mandatos no Executivo municipal para que o projeto chegasse ao ponto atual. Ignorar esse percurso em prol de um vídeo efêmero no Instagram é uma fraude histórica.
O Resgate Histórico da 25ª Legislatura: O Verdadeiro Escudo do Hospital
Se o Poder Executivo teve o papel de executar e gerenciar as crises, foi no plenário da Câmara Municipal de Divinópolis que a legalidade, a fiscalização e o suporte político ao Hospital Regional foram garantidos.
E, neste quesito, a história exige que façamos o devido e merecido reconhecimento aos integrantes da 25ª Legislatura da Câmara Municipal de Divinópolis.
Foi este grupo específico de parlamentares que, durante um dos períodos mais conturbados da política local, manteve o Hospital Regional no topo das prioridades orçamentárias.
Portanto, aprovando créditos, cobrando o Governo do Estado e criando comissões especiais de acompanhamento de obras.
É uma tremenda falta de caráter institucional ver os atuais donos do palanque tentarem apagar o nome dos vereadores, tratando-os como se nunca tivessem feito nada.
Por isso, este editorial faz questão de registrar, nominalmente, cada um dos representantes daquela legislatura que trabalharam para que o hospital não virasse um esqueleto de concreto:
- Ana Paula do Quintino
- Anderson da Academia
- Breno Junior
- Flávio Marra
- Hilton de Aguiar
- Israel da Farmácia
- Josafá
- Ney Burguer
- Rodyson do Zé Milton
- Admir Silva
- Edsom Souza
- Eduardo Print Junior
- Lauro Capitão America
- Piriquito Beleza
- Roger Viegas
- Zé braz
- Wesley Jarbas
- Kaboja
Cada um desses parlamentares participou de debates acalorados, audiências públicas esvaziantes, votações de diretrizes orçamentárias e visitas técnicas de fiscalização ao canteiro de obras.
Foram eles que deram o sustentáculo jurídico para que o município pudesse dialogar de igual para igual com o Estado e com a Federação.
Muitos deles sacrificaram suas próprias bases políticas para defender os aportes financeiros na saúde regional em detrimento de pequenas obras de bairro. Colocá-los agora no escanteio, omitindo o suor que deixaram naquela comissão, é uma manobra de profunda baixeza e desonestidade intelectual.
A Dança das Cadeiras e o Alvo em Outubro: A Anatomia do Oportunismo
Por que, então, esse apagão de memória ocorre justamente agora? A resposta é óbvia e cheira a puro cálculo eleitoral. O Hospital Regional de Divinópolis, agora sob a chancela da UFSJ, transformou-se na joia da coroa da infraestrutura do Centro-Oeste mineiro.
Quem conseguir colar a sua imagem à entrega definitiva daquela unidade de saúde marchará com uma vantagem competitiva descomunal nas eleições de outubro.
O interesse que orbita os bastidores dessa inauguração envolve uma disputa feroz por cadeiras cobiçadas na Assembleia e no Congresso Nacional, em Brasília.
Políticos que exercem mandatos atualmente perceberam o potencial magnético que o hospital possui perante a opinião pública.
Sabendo que o eleitorado valoriza a entrega de serviços de saúde acima de qualquer outra pauta, esses agentes decidiram sequestrar a história.
Empreendem uma campanha sistemática de autopromoção, emitindo comunicados oficiais falsamente egocêntricos.
Gravando vídeos com falas ensaiadas em frente ao hospital e blindando as cerimônias para que os verdadeiros construtores da obra não tenham direito ao microfone.
Essa tentativa de monopolizar o crédito opera por meio de uma lógica perversa: esconde-se o passado para hipervalorizar o presente.
O eleitor menos atento, bombardeado por algoritmos e postagens patrocinadas, é levado a acreditar que o hospital só existe porque aquele determinado vereador brigou por ele.
Esconde-se que a atual configuração de hospital universitário só foi viabilizada graças a costuras complexas de bastidores.
Esconde-se que os vereadores da 25ª Legislatura limparam o terreno e seguraram a pressão popular quando a obra era apenas uma promessa parada.
Chega de Desrespeito: a verdade pertence ao povo de Divinópolis
Este editorial do Portal Centro-Oeste Notícias levanta uma barreira intransigente contra essa farsa. Não podemos aceitar passivamente que a história de Divinópolis seja reescrita ao bel-prazer de candidatos desesperados por votos na próxima eleição.
A atuação de quem trabalha na reta final é válida e legítima? Sim, o acompanhamento recente é parte do processo democrático e republicano.
Mas essa atuação recente representa apenas uma fração minúscula, uma pequena engrenagem dentro de um relógio complexo que começou a ser montado há vinte anos.
Dividir o palco com quem veio antes não diminui o mérito de ninguém; pelo contrário, demonstra grandeza, maturidade política e respeito institucional.
Tentar empurrar os antigos prefeitos e os antigos vereadores da 25ª Legislatura para o ostracismo é um atestado de pequenez e de vaidade eleitoreira.
O Hospital Regional de Divinópolis, pertence única e exclusivamente ao povo, que pagou seus impostos e esperou pacientemente, muitas vezes perdendo parentes nas filas.
Que os oportunistas de plantão recolham as suas vaidades e entendam de uma vez por todas: a saúde pública é um direito constitucional e uma conquista coletiva.
Divinópolis tem memória, e nós faremos questão de lembrar o nome de cada um que, de fato, trabalhou de verdade. O palanque eleitoral de outubro não apagará a história escrita com trabalho e dignidade no plenário da nossa Câmara Municipal.










