Dispositivo de última geração, implantado via cateter, elimina o uso de eletrodos e cicatrizes, oferecendo uma alternativa mais segura para pacientes de alto risco.
O Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) cravou seu nome na história da medicina cardiovascular mineira ao realizar, com sucesso, o primeiro implante em Minas Gerais do marca-passo sem eletrodos de dupla câmara. Considerado o menor dispositivo do mundo em sua categoria, a tecnologia representa uma revolução no tratamento de distúrbios do ritmo cardíaco, como a bradicardia (lentidão excessiva dos batimentos), e coloca Divinópolis na vanguarda da arritmologia moderna no Brasil.
O procedimento, que é minimamente invasivo, marca uma mudança drástica no padrão de cuidado tradicional. Ao contrário dos modelos convencionais, que exigem a criação de uma “loja cirúrgica” abaixo da pele e a passagem de cabos (eletrodos) até o coração, a nova tecnologia é introduzida inteiramente por cateter, eliminando a necessidade de cicatrizes aparentes e reduzindo drasticamente o risco de complicações.
Tecnologia que Salva e Inova
O grande diferencial do dispositivo implantado no CSSJD é a sua capacidade de dupla câmara. Diferente de modelos anteriores que atuavam apenas no ventrículo, este sistema permite o sincronismo entre átrio e ventrículo, conferindo ao coração um funcionamento muito mais próximo do fisiológico.
Segundo o arritmologista Dr. Daniel Soares Sousa, responsável pelo procedimento, a inovação atende a um perfil específico e complexo de pacientes
“Esse é o primeiro caso em Minas Gerais do dispositivo dupla câmara. O grande diferencial é justamente proporcionar sincronismo atrioventricular, permitindo abordar diferentes patologias e individualizar o tratamento conforme a necessidade específica de cada paciente. É um dispositivo invisível para o paciente e para as pessoas ao redor”, explica o especialista.
Segurança Reforçada para Pacientes de Alto Risco
Embora a tecnologia seja um avanço para o paciente médio, ela é um divisor de águas para indivíduos com histórico clínico delicado. Pacientes renais crônicos, diabéticos, imunossuprimidos e oncológicos, que possuem maior vulnerabilidade a infecções e problemas na cicatrização, são os maiores beneficiados.
Ao eliminar os eletrodos e a bolsa subcutânea, a incidência de riscos graves — como infecções generalizadas, deslocamentos de cabos ou fraturas — é praticamente extinta.
“O principal benefício é retirar as complicações que um marca-passo comum poderia ter. Isso proporciona mais segurança, menor risco de infecção e melhor qualidade de vida para pacientes que muitas vezes já possuem condições clínicas complexas”, destaca Dr. Daniel.
Protagonismo Tecnológico do CSSJD
A realização deste procedimento pioneiro é motivo de orgulho para a gestão do CSSJD. Para o Conselho Diretor da instituição, o feito é o resultado direto de um projeto contínuo de modernização estrutural, qualificação constante das equipes médicas e o objetivo estratégico de democratizar o acesso à alta tecnologia.
Com a implantação desta inovação em solo divinopolitano, pacientes de toda a região Centro-Oeste de Minas deixam de enfrentar o desgaste de grandes deslocamentos para centros hospitalares de outras capitais, tendo acesso a um tratamento de ponta, disponível apenas em centros de referência mundial.
O procedimento consolida o São João de Deus não apenas como o maior complexo de saúde da região, mas como um centro de excelência em inovação tecnológica, onde a ciência e o cuidado humanizado caminham lado a lado para transformar a assistência cardiovascular.










