Em entrevista Jarbas explica o impacto do Projeto de Lei nº 149/2025 na rotina de crianças autistas e famílias atípicas; proposta visa eliminar o “terror sonoro” dos sinais estridentes e promover um ambiente de aprendizado harmônico.
A educação inclusiva em Divinópolis acaba de ganhar um novo e harmonioso capítulo. Em um momento de profunda reflexão sobre as barreiras invisíveis que impedem o pleno desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências.
O vereador Wesley Jarbas levou uma proposta que atinge diretamente o cotidiano das salas de aula a substituição das tradicionais sirenes escolares por sinalizações musicais suaves.
O Projeto de Lei nº 149/2025 não é apenas uma mudança técnica nos equipamentos de som das escolas, mas uma resposta direta a um clamor desesperado de mães e pais que viam seus filhos.
Que sofrerem fisicamente a cada mudança de turno ou horário de recreio. A hipersensibilidade auditiva, característica comum em muitas crianças atípicas.
Transforma o sinal estridente em uma fonte de dor, ansiedade e crises sensoriais que podem comprometer todo o dia letivo.
A Origem do Projeto: O Clamor das Mães Atípicas
Durante a apresentação da matéria, Wesley Jarbas fez questão de enfatizar que a ideia nasceu da escuta ativa e do contato direto com a comunidade. Segundo o parlamentar, as redes sociais e os canais de atendimento de seu gabinete foram inundados por relatos de famílias que enfrentam o desafio da inclusão escolar sem o suporte estrutural necessário.
O vereador relembrou que a estrutura sonora das escolas pouco mudou desde as décadas passadas, mantendo um padrão de ruído. “A gente agradece demais pela cobertura do projeto 149 Barra 2025, projeto que realmente vai impactar na vida daquelas crianças de aspecto autista. As mães atípicas têm me ligado, têm nos cobrado justamente comigo, com a minha assessoria”, afirmou.
O Testemunho da Realidade Escolar
Ao justificar a urgência da medida, o vereador compartilhou experiências pessoais que teve ao visitar unidades de ensino no município. A descrição das cenas presenciadas por ele choca pelo realismo e pela clareza do sofrimento infantil causado por um detalhe que, para muitos, passa despercebido: o volume e a frequência do som da sirene.
Jarbas foi enfático ao descrever a reação instintiva das crianças diante do barulho. Em suas palavras: “Eu já presenciei de perto, em várias escolas, não vou dar o nome aqui, de crianças colocando o dedo no ouvido, porque estava incomodando. O som tão estridente e alto”. Essa reação, muitas vezes acompanhada de choro e isolamento, é o que o projeto pretende extinguir das escolas divinopolitanas.
O Modelo de Inspiração: Música Clássica e Hinos Suaves
A proposta não se limita a pedir o silêncio, mas sugere uma substituição inteligente e culturalmente enriquecedora. O projeto autoriza e incentiva que as instituições de ensino adotem músicas clássicas ou hinos suaves para marcar os tempos escolares. O vereador citou exemplos de instituições que já perceberam os benefícios dessa mudança e servem de norte para o restante da rede municipal e privada.
“Na nossa época, a gente estudou aquele som estridente no horário de entrada, no horário também do intervalo do recreio, então para que possa aderir com o som mais, assim, de música e clássica”, explicou o vereador.
Ele ainda detalhou o exemplo prático de como a música pode reforçar a identidade da escola e tranquilizar os alunos.
“Então, a gente tem o exemplo da Escola São Francisco, pela qual tem aquele hino de São Francisco. Então, pensamos nesse projeto para ajudar, porque é um som que incomoda tantas crianças atípicas como as outras crianças também”.
Inclusão que Beneficia a Todos
Um dos pontos mais relevantes do debate levantado por Wesley Jarbas é que a redução da poluição sonora no ambiente escolar traz benefícios sistêmicos. Embora o foco principal sejam as crianças com TEA, a substituição por música clássica cria um ambiente mais sereno.
Para professores, funcionários e alunos neurotípicos, reduzindo o estresse e a agitação coletiva.
A aprovação deste projeto coloca Divinópolis na vanguarda das cidades que aplicam o conceito de “Desenho Universal para a Aprendizagem”.
Onde as adaptações feitas para quem tem necessidades especiais acabam melhorando a experiência de todos os usuários do sistema.
“Várias famílias têm nos ligado, nos cobrado, e agora, graças a Deus, vai ser votado esse projeto, que é um projeto que vai impactar muito, principalmente para essas crianças”, celebrou Jarbas.
Vislumbrando um futuro onde o toque da sirene não seja mais um motivo de medo, mas um convite suave para o próximo passo do aprendizado.










