Levantamento aponta mais de 1,5 mil transações entre 2022 e 2026, incluindo depósitos do presidente Lula e repasses a ex-sócios; Ministro do STF interrompeu quebras de sigilo nesta quinta-feira.
Uma análise detalhada dos extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, obtida por meio de quebra de sigilo, revelou uma movimentação financeira de R$ 19,5 milhões entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026. Ao todo, foram registradas 1.531 transações bancárias no período, somando entradas e saídas que mantiveram um volume equilibrado de aproximadamente R$ 9,7 milhões em cada ponta.
No entanto, em um desdobramento jurídico relevante ocorrido nesta quinta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a suspensão de todas as quebras de sigilo relacionadas ao caso.
Origem dos Recursos e Depósitos Familiares
De acordo com os dados da quebra de sigilo, a maior fatia dos créditos que entraram nas contas de Lulinha — cerca de R$ 4,4 milhões — é proveniente de resgates de fundos de investimento.
A investigação também identificou transações envolvendo o núcleo familiar e parceiros próximos:
- Depósitos do Pai: Lulinha recebeu três depósitos do presidente Lula entre 2022 e 2023, totalizando R$ 721 mil.
- Instituto Lula: Em dezembro de 2023, no mesmo dia em que recebeu um dos depósitos do pai, Lulinha depositou um cheque de R$ 157 mil assinado por Paulo Okamotto, atual diretor do Instituto Lula.
- Outras Fontes: Os extratos listam ainda créditos de empresas ligadas à sua esposa, Renata de Abreu Moreira, além de recursos de consórcios, previdência e seguros.
Repasses a Ex-Sócios e Transferências Internas
Portanto, a perícia bancária indicou que a maior parte do dinheiro movimentado foi transferida para outras contas de titularidade do próprio Lulinha. Contudo, repasses a antigos parceiros comerciais chamaram a atenção dos investigadores:
- Jonas Leite Suassuna Filho: O ex-sócio recebeu 17 transferências que somaram R$ 704 mil entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025.
- Kalil Bittar: Outro ex-sócio recebeu R$ 750 mil por meio de 15 transações realizadas entre janeiro de 2024 e outubro de 2025.
Decisão de Flávio Dino
A suspensão determinada pelo ministro Flávio Dino interrompe o fluxo de acesso aos dados financeiros, colocando um freio momentâneo nas apurações que utilizavam essas informações para traçar o perfil patrimonial de Lulinha. Além disso, a decisão ocorre em um momento de intenso debate jurídico sobre os limites das quebras de sigilo e a validade das provas colhidas.
Resumo das Movimentações (2022-2026)
| Categoria | Valor Aproximado |
| Movimentação Total | R$ 19,5 milhões |
| Entradas Totais | R$ 9,7 milhões |
| Resgate de Investimentos | R$ 4,4 milhões |
| Repasses de ex-sócios (Somados) | R$ 1,45 milhão |
| Depósitos de Lula (Pai) | R$ 721 mil |










