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Hidelbrando Neto ex-vice-prefeito de Itaúna retorna ao Brasil para prisão domiciliar e é visto em loja de Divinópolis

Hidelbrando Neto ex-vice-prefeito de Itaúna retorna ao Brasil para prisão domiciliar e é visto em loja de Divinópolis

Após meses de refúgio no exterior, ex-vice-prefeito de Itaúna e ex-secretário da Semad se entrega às autoridades; reportagem do Centro-Oeste Notícias apura movimentação do político em Divinópolis.

A trama que envolve a fuga internacional e o esquema de corrupção minerária em Minas Gerais ganhou um novo e decisivo capítulo nesta semana. Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto, ex-vice-prefeito de Itaúna e peça central da Operação Rejeito, finalmente encerrou seu período como foragido.

Segundo confirmaram fontes da defesa ao Centro-Oeste Notícias, o político desembarcou em solo brasileiro. Imediatamente após o desembarque, Neto iniciou o cumprimento da prisão domiciliar, uma medida imposta pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6).

A Operação Rejeito e as Acusações da Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou a Operação Rejeito visando desmantelar um sofisticado esquema de obtenção irregular de licenças minerárias. Segundo as investigações, Hidelbrando Neto utilizou de forma ilícita a experiência técnica que acumulou durante sete anos em cargos estratégicos na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

No órgão estadual, ele ocupou os cargos de secretário executivo e subsecretário de regularização ambiental, posições que lhe conferiram amplo conhecimento sobre os trâmites de licenciamento no estado.

Consequentemente, a PF sustenta que o ex-vice-prefeito facilitou crimes ambientais e atos de corrupção logo após deixar a estrutura do Governo de Minas. Os agentes apontam que ele se associou a empresários do setor mineral para operar um mercado paralelo de influências.

Além disso, as investigações identificaram duas companhias das qual Hidelbrando seria sócio oculto. Segundo os peritos federais, essas empresas funcionavam estritamente como estruturas de blindagem patrimonial para ocultar recursos oriundos de propinas e atividades ilegais no Quadrilátero Ferrífero.

Aparição Misteriosa em Divinópolis

Apesar do anúncio oficial do cumprimento da prisão domiciliar, o Centro-Oeste Notícias apurou informações exclusivas que colocam em xeque a cronologia absoluta do isolamento do investigado. Conforme relatos obtidos pela nossa equipe de reportagem, testemunhas avistaram Hidelbrando Neto em Divinópolis pouco antes da formalização de sua apresentação às autoridades.

O ex-vice-prefeito teria frequentado um estabelecimento comercial localizado na movimentada Rua São Paulo, no coração do centro comercial divinopolitano. Dessa maneira, a presença de Neto na principal cidade do Centro-Oeste mineiro sugere que ele buscou apoio ou realizou contatos estratégicos antes de se submeter ao monitoramento judicial.

Certamente, essa movimentação desperta a atenção dos órgãos de controle, visto que o político permaneceu fora do radar das autoridades desde setembro do ano passado. O registro de sua passagem por Divinópolis reforça a tese de que ele mantém fortes laços de influência na região, mesmo após perder o cargo eletivo em Itaúna.

A Queda Política e a Vacância em Itaúna

Enquanto Hidelbrando Neto permanecia foragido, a Câmara Municipal de Itaúna tomou providências drásticas para garantir a governabilidade local. No mês passado, o Legislativo municipal oficializou a vacância do cargo de vice-prefeito.

O presidente da Casa, vereador Antônio de Miranda Silva (União Brasil), assinou o ato de destituição baseando-se estritamente na Lei Orgânica do Município. O texto legal determina que o vice-prefeito não pode se ausentar da cidade por um período superior a 15 dias sem autorização prévia da Câmara.

Portanto, Hidelbrando Neto retorna ao Brasil sem o foro e as prerrogativas do cargo público. A decisão do TRF-6, que substituiu os mandados de prisão preventiva por medidas cautelares e domiciliares, beneficiou todos os alvos da Operação Rejeito.

No entanto, o retorno do ex-vice-prefeito não significa o fim de seus problemas jurídicos. Pelo contrário, o Ministério Público Federal agora acelera a instrução do processo, utilizando as provas colhidas nas buscas e apreensões realizadas em dezembro, poucos dias após a fuga cinematográfica de Neto pelo Aeroporto de Confins.

Estrutura de Fuga e Monitoramento

A cronologia da fuga de Hidelbrando Neto impressiona pela precisão. A Polícia Federal deflagrou as buscas em 17 de dezembro, contudo, o investigado decolou de Minas Gerais apenas dois dias antes da chegada dos agentes.

Este fato levanta suspeitas sobre um possível vazamento de informações privilegiadas que permitiu sua saída antecipada do país. Durante meses, ele permaneceu em local incerto no exterior, enquanto seus advogados negociavam as condições para um eventual retorno e rendição.

Adicionalmente, as medidas cautelares impostas pelo TRF-6 exigem que Neto mantenha endereço fixo e se abstenha de qualquer contato com os outros investigados da Operação Rejeito. O descumprimento de qualquer uma dessas normas poderá acarretar o retorno imediato ao sistema prisional fechado.

Dessa forma, a vigilância sobre os passos do ex-prefeito torna-se uma prioridade para a delegacia da PF em Divinópolis, que jurisdiciona a área de atuação do esquema criminoso.

Próximos Passos do Processo Judicial

Em suma, o cenário jurídico para Hidelbrando Neto apresenta-se extremamente complexo. Os investigadores focam agora no rastreamento do fluxo financeiro das empresas de blindagem patrimonial. A expectativa é que a análise dos documentos apreendidos revele a participação de outros agentes públicos e empresários de grande porte do setor de mineração.

Certamente, o depoimento de Hidelbrando Neto sob o regime de prisão domiciliar será um divisor de águas para a continuidade das investigações.

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