Em entrevista, vereador Vitor Costa detalha conquistas legislativas, critica gestão estadual e confirma intenção de disputar vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
O vereador Vitor Costa (PT) encerrou o ciclo de 2025 consolidando-se como uma das vozes mais ativas da oposição na Câmara Municipal de Divinópolis.
Em um diálogo franco, o parlamentar recapitulou sua trajetória no primeiro ano de mandato, as pressões enfrentadas por representar uma minoria ideológica e os planos ambiciosos para as eleições de 2026.
Além disso, Costa não poupou críticas à gestão do transporte público e ao atraso na inauguração do Hospital Regional, apontando o que chama de “jogo político” do governador Romeu Zema.
Aprendizado e Produção Legislativa: O Batismo de Fogo
Vitor Costa iniciou a conversa enfatizando que 2025 foi um período de transição entre o idealismo de campanha e a realidade prática da política. Ele destacou que o mandato protocolou 26 projetos de lei, obtendo aprovação em todos os que chegaram ao plenário até o momento.
“O 2025 foi um ano de muito aprendizado. O Vitor, que entrou na Câmara, chegou com muitos ideais, muitos sonhos, acúmulos de uma campanha que moveu a cidade toda. E nós aprendemos como funciona a política na prática”, afirmou o vereador.
Entre as propostas de maior impacto emocional e social, ele sublinha o projeto do “Meu Kit Escolar”, articulado com a vice-prefeita Janete.
“É um projeto que eu articulei junto com a vice-prefeita Janete para, assim que ela assumir a prefeitura, já estar dentro da previsão orçamentária. Tem muito a ver com a minha história, porque eu fui aluno da rede municipal. Eu lembro que o dia mais feliz dos alunos na escola era o dia que a gente recebia o kit escolar”, relembrou Vitor, defendendo a universalidade da política pública para todas as famílias, independentemente da renda.
Articulação Federal e Patrimônio Histórico
Uma das conquistas mais celebradas pelo parlamentar envolve a recuperação de patrimônio da União para fins sociais. Por meio de diálogo direto com o governo federal e figuras como Glade Andrade, o mandato garantiu uma nova sede para o Movimento Negro de Divinópolis.
Segundo o vereador, a articulação na Secretaria de Patrimônio da União (SPU) recuperou um imóvel abandonado na Rua Pernambuco, uma das áreas mais valorizadas do município.
“Nós estamos falando de uma mega casa, avaliada em 6 milhões de reais, que agora passa a ter utilidade. Isso é fruto da nossa boa articulação junto ao governo federal”, pontuou.
Meio Ambiente: Da Promessa de Campanha ao Embate Jurídico
No campo ambiental, Vitor Costa afirmou ter cumprido o compromisso de plantar uma árvore para cada voto recebido. Ele relatou que, com recursos próprios e esforço da equipe, já plantou 400 mudas em mutirões e escolas. Para a continuidade do projeto, o mandato destinou 40 mil reais ao GEEC para o plantio de centenas de novas árvores.
Entretanto, o tema ambiental também trouxe conflitos, especialmente em relação à Lagoa do Sidil. O vereador denunciou o que chamou de “supressão” e desmatamento ilegal em torno da lagoa para a construção de um empreendimento imobiliário.
“Nós protocolamos uma denúncia no Ministério Público. O que foi aprovado lá naquele condomínio, que é o Lar Reserve, tem uma boca de lobo voltada para o espaço do barramento da lagoa. Todos os dejetos do condomínio caem na lagoa”, alertou o parlamentar.
Ele rebateu críticas de que estaria “atrapalhando” o desenvolvimento: “A gente só quer que a obra seja feita respeitando a legislação ambiental, para que meus filhos e netos consigam usar o espaço, e não para algo que vai dar um dano irreversível”.
O Peso da Oposição e a Identidade LGBTQIA+
O vereador também comentou sobre o desgaste emocional de ser alvo constante de ataques, tanto nas redes sociais quanto no próprio plenário. Costa revelou que a transição de um perfil sempre elogiado para uma figura política polarizadora exigiu acompanhamento terapêutico.
“No início sofri muito com isso, porque eu não estava acostumado a receber tantas críticas. Hoje eu vejo isso como algo positivo. Eu olho muito o grupo político que eu estou desagradando”, explicou.
Ele reafirmou sua base de apoio: “Em Divinópolis a esquerda é minoritária, mas ela existe e será representada pelo meu mandato. Eu não estou aqui para representar quem não comunga com nada que eu faço, mas sim aquelas pessoas que me elegeram”.
Além da postura ideológica, Vitor Costa destacou a importância de sua identidade como o primeiro vereador assumidamente gay da história de Divinópolis a registrar essa informação no portal do TSE.
“A necessidade de se denominar, de levantar a bandeira e se representar é o que me fez ser candidato. Muitos outros já passaram por essa casa, e quem sabe também são, mas a coragem de assumir é o que nos fortalece”.
Fogo Cruzado: O Hospital Regional e o “Ego” de Zema
Um dos pontos mais polêmicos da entrevista foi a situação do Hospital Regional, agora sob domínio da UFSJ. Vitor Costa criticou duramente a demora do governador Romeu Zema em sancionar a doação do imóvel, o que, segundo ele, atrasou o processo em mais de 30 dias.+1
“O Romeu Zema escolheu esperar mais de 30 dias para fazer uma mini cerimônia com só um deputado da região, tentando reduzir todo o trabalho coletivo que foi feito. Ele fez uma cerimônia do tamanho do ego dele”, disparou o vereador.
Vitor Costa acredita que a demora foi um “jogo político” para evitar que o presidente Lula inaugure a obra antes do prazo eleitoral de abril.
Apesar do atraso, ele confirmou que a EBSERH já está pronta para assumir a gestão. “O Arthur Chioro (presidente da EBSERH) nos disse que as licitações já estavam adiantadas. O hospital deve inaugurar com 20% ou 30% da capacidade e ampliar ano após ano”, detalhou.
Sobre a vinda do presidente da República, Vitor foi enfático: “O presidente sabe e conhece Divinópolis. Eu quero que seja o Lula inaugurando porque eu quero que isso saia o mais rápido possível”.
Transporte Público: Subsídios e Ameaças
Quanto ao transporte coletivo, o vereador demonstrou profunda preocupação com o fim do contrato com o Consórcio Transoeste e a abertura de uma nova licitação. Ele revelou possuir “pilhas de papéis” analisando cláusula por cláusula dos contratos atuais e anunciou a criação de um grupo de trabalho para fiscalizar o setor.
Vitor criticou os subsídios milionários repassados pela prefeitura sem contrapartidas de melhoria real para o trabalhador. “Quem é diretamente beneficiado por todo o subsídio que o prefeito dá são as empresas e não o povo trabalhador. O desconto de 6% na folha do trabalhador é automático, independente do valor da passagem”, argumentou.
Além disso, ele ainda denunciou a falta de benefícios sociais no sistema: “Passe livre estudantil não é realidade em Divinópolis. O estudante que mora no Copacabana e estuda no Martins precisa ir a pé se não tiver dinheiro. A prefeitura destina 8 milhões para gratuidade de idosos acima de 65 anos, mas o estatuto prevê a partir de 60”.
Portato, para o vereador, a empresa utiliza os funcionários como “moeda de troca” para pressionar por mais dinheiro público.
Rumo à Assembleia: O Projeto 2026
Além disso, ao ser questionado sobre o futuro, Vitor Costa confirmou que seu nome foi escolhido por seu grupo político para buscar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 2026. Como atual Presidente Municipal do Partido dos Trabalhadores, ele já se coloca como pré-candidato a deputado estadual.
“Em 2026 estarei lá para fazer palanque para o presidente Lula. O povo pode esperar de mim um trabalho incansável para que o PT ocupe mais espaço”, afirmou.
Portanto, sobre o cenário estadual, ele defende uma coalizão para enfrentar o avanço do conservadorismo em Minas, citando nomes como Alexandre Kalil e Margarida Salomão para o governo, e Marília Campos para o Senado.
Finalizando a entrevista, Vitor deixou uma mensagem de abertura ao diálogo: “Meu gabinete está sempre de portas abertas. Críticas são bem-vindas se ditas com educação. Falta muito respeito nessa nova geração política, e eu vou sempre receber qualquer demanda com paciência e educação”.










