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Exclusivo: Daniel desabafa sobre a negligência da Trancid enquanto enfrenta maratona de cirurgias; “Falta de comprometimento com uma vida”

Falta de comprometimento com uma vida Daniel desabafa sobre a negligência da Trancid enquanto enfrenta maratona de cirurgias

Motociclista teve o pulmão perfurado e a bacia esmagada em colisão com ônibus da Trancid; enquanto luta para voltar a andar, a empresa responsável pelo veículo mantém um silêncio absoluto e não oferece suporte básico, segundo a vitima.

Uma familia divinopolitana assiste, estarrecida, ao desenrolar de um dos episódios mais emblemáticos de falta de responsabilidade social e humanidade no trânsito local.

O que poderia ser apenas mais uma estatística de acidente de trânsito tornou-se o retrato fiel do abandono. Daniel, um motociclista que seguia sua vida com retidão, encontra-se hoje confinado a um leito hospitalar, enfrentando dores e procedimentos cirúrgicos complexos.

Tudo aconteceu após ser vitima de um acidentendo envolvendo um ônibus da empresa Trancid no bairro Danilo Passos. O mais grave, contudo, não reside apenas nas ferragens retorcidas ou nas lesões físicas, mas no comportamento da concessionária, que, segundo a vítima, sequer teve a decência de realizar um telefonema para saber se ele sobreviveu ao impacto.

A Dinâmica do Acidente: Imprudência na Via Principal

Tudo aconteceu em um trajeto cotidiano. Daniel trafegava no sentido Danilo Passos para o bairro Niterói, no dia 05 de março.

Ao realizar a rotatória e seguir em direção ao supermercado Rena, ele acabou surpreendido pelo ônibus. Em um depoimento carregado de emoção e dor, Daniel relata.

“Hora que eu cheguei ao meio do quarteirão, o ônibus da Transid, ele simplesmente evadiu a rua principal e não teve como nem frear a moto e bati neles, com muita dor”.

O impacto não foi apenas uma colisão comum. O relato de Daniel, corroborado por quem estava no local no momento da tragédia, aponta para uma cena de horror.

Portanto, o motorista do coletivo, após o choque, ainda teria movimentado o veículo, agravando a situação. “O motorista ali, chegou para o ônibus lá, arrastou a moto, ele arrastou a moto e segundo o pessoal que estava lá, arrastou a moto por uns quatro metros”, descreve a vítima.

Naquele instante de agonia, uma frase de uma pessoa que passava pelo local ficou gravada na memória de Daniel como um prenúncio do que estaria por vir: disseram-lhe que “não era para eu me preocupar com moto, que era para eu me preocupar comigo”.

A Via Sacra da Sobrevivência: Pulmão Perfurado e Bacia Esmagada

As consequências físicas para Daniel foram devastadoras. Desde o dia do acidente, o jovem iniciou uma verdadeira “via sacra” nos centros cirúrgicos.

Logo após a entrada na unidade hospitalar, a gravidade das lesões se mostrou assustadora. Daniel teve o pulmão perfurado, uma condição crítica que exige intervenção imediata para evitar a insuficiência respiratória.

Em decorrência disso, ele precisou ser submetido à colocação de um dreno torácico na última segunda-feira, um procedimento extremamente doloroso e delicado.

Além do trauma pulmonar, a região da bacia duramente atingida. Daniel passou por uma cirurgia complexa onde instalada uma “gaiola” (fixador externo) para estabilizar os ossos fragmentados. Este equipamento, embora necessário, impõe limitações severas e um desconforto contínuo.

Além disso, nesta quarta-feira, dia 11 de março, enquanto esta reportagem era redigida, Daniel enfrentava mais um desafio. Ele passará por uma nova e extensa cirurgia para a retirada da referida gaiola e para a realização da fixação interna definitiva.

O procedimento envolve a colocação de platinas e diversos pinos na bacia, uma tentativa de reconstruir o que a imprudência do transporte coletivo destruiu.

A recuperação promete ser longa, incerta e marcada por meses de fisioterapia e impedimento de exercer suas atividades laborais.

A Indiferença da Trancid: “Eles sequer ligaram para saber como eu me encontro”

O ponto mais sensível e revoltante deste caso é a postura adotada pela empresa Trancid. Em um momento onde a responsabilidade civil e a ética deveriam nortear as ações de uma concessionária, o que se vê é a omissão completa. Daniel desabafa, do fundo de sua fragilidade hospitalar, sobre a “puta sacanagem” que é o descaso da empresa.

“Não me deram assistência pós aquilo ali, depois de feito BO e tudo mais, eles nem ligaram para saber como que eu me encontro, se eu estou bem, se eu não estou, não fizeram nada disso, sabe?”, questiona Daniel.

Para ele, a dor física ampliada pelo sentimento de descarte. A empresa, que opera o transporte de milhares de vidas diariamente, parece tratar Daniel como apenas um “problema jurídico” a ser evitado, e não como um ser humano cuja integridade violada por um de seus prepostos.

“Eu achei uma puta de uma sacanagem, porque a falta de comprometimento é uma vida, então assim, é muito triste saber como uma empresa dessa não dá assistência quando a causa é um acidente desse, né?”, conclui em seu desabafo.

Além disso, a crítica de Daniel é direta e contundente: como pode uma empresa que detém o monopólio ou a concessão de um serviço essencial não possuir um protocolo de acolhimento ou assistência mínima para vítimas de acidentes causados por sua frota?

Onde está a Responsabilidade Social?

O silêncio da Trancid diante do pulmão perfurado e da bacia fraturada de Daniel levanta questões profundas sobre a fiscalização do transporte público em Divinópolis. Onde estão os órgãos reguladores? Por que a empresa se sente confortável em ignorar uma vítima que está sob cuidados intensivos?

Portanto, a assistência que Daniel reclama não é apenas financeira, embora os custos de sua recuperação, medicamentos e a perda de renda sejam astronômicos, mas sim uma assistência moral e humana.

A ausência de um suporte básico para a família ou de um acompanhamento do quadro clínico revela um abismo ético na gestão da empresa.

Portanto, Daniel segue em oração e sob os cuidados da equipe médica, enquantoaguarda uma resposta oficial que, até agora, não veio.

A vida de Daniel não pode ser esquecida nos arquivos de um Boletim de Ocorrência. Além disso, é preciso que a responsabilidade seja assumida, que a assistência seja prestada e que a justiça não seja lenta quanto a recuperação da bacia de uma pessoa que queria chegar ao seu destino.

Trancid não responde aos questionamentos

Diante da gravidade das acusações de Daniel e do estado clínico da vítima, a redação do Centro-Oeste Notícias entrou em contato com a Trancid para solicitar um posicionamento sobre a falta de assistência e os detalhes da dinâmica do acidente relatados pela vítima.

No entanto, a empresa não respondeu aos nossos questionamentos até o fechamento desta reportagem. Portanto, o espaço segue aberto para que a concessionária explique por que um cidadão ferido em uma colisão com um de seus veículos de serviço público permanece desamparado moral e materialmente.

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