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Caso Lorena Marcondes: Parecer técnico contesta laudo oficial e aponta fatores clínicos determinantes para o óbito

Caso Lorena Marcondes Parecer técnico contesta laudo oficial e aponta fatores clínicos determinantes para o óbito

Parecer médico-legal assistente traz luz a questões técnicas ignoradas pela perícia inicial, enquanto audiência recente é marcada pelo não comparecimento de testemunhas fundamentais.

O processo que envolve a biomédica Lorena Marcondes entrou em uma fase decisiva, onde o rigor científico e o respeito às garantias constitucionais começam a desenhar um cenário mais complexo do que o apresentado inicialmente.

Na última audiência realizada na 1ª Vara Criminal de Divinópolis, no dia 3 de março, o silêncio no banco das testemunhas foi o que mais ecoou: diversas pessoas intimadas, mesmo sob o dever legal de colaborar com a justiça, não compareceram ao ato, adiando o esclarecimento pleno dos fatos.

Neste cenário de incertezas processuais, a defesa da biomédica, que mantém de forma categórica e contundente a tese de sua total inocência, apresentou um parecer médico-legal que contesta frontalmente as conclusões da Polícia Civil (PCMG).

O Lamento e a Resiliência

Antes de qualquer debate técnico, é fundamental ressaltar que a biomédica Lorena Marcondes e sua equipe jurídica têm reiterado, em todas as instâncias, o mais profundo e sincero lamento pela morte da paciente Íris Martins.

O luto da família respeitado pela defesa, que trabalha incansavelmente para que a justiça seja feita de forma justa, baseada em provas técnicas e não em clamor social, garantindo que a verdade dos fatos sobressaia à tragédia.

A Tese do Endolaser vs. Lipoaspiração

O perito assistente, Weliton Barbosa Santos, classificou como “absurda” a conclusão da perícia oficial de que houve uma lipoaspiração. Segundo o novo documento técnico, as marcas encontradas no corpo da vítima (equimoses em leque) são assinaturas clássicas do endolaser ou endolift.

Diferente da lipoaspiração, que utiliza cânulas rígidas de aço e manobras agressivas, o endolaser é uma técnica minimamente invasiva.

Além disso, realizada com fibras ópticas finas e sob anestesia local, sendo amplamente permitida em ambientes de consultório. Esta distinção é o pilar que sustenta a regularidade do exercício profissional de Lorena no dia do ocorrido.

O Fator Oculto: O Estado de Saúde da Paciente

Um dos pontos mais sensíveis da defesa diz respeito à segurança do procedimento. Surgem nos autos indícios e argumentos de que a paciente, à época, teria ocultado informações cruciais sobre seu estado de saúde prévio. Na medicina e na estética, a precisão da anamnese (entrevista pré-operatória) é vital.

A ausência de transparência sobre condições fisiológicas preexistentes pode alterar drasticamente a forma como o organismo reage a substâncias anestésicas, independentemente da perícia do profissional.

O laudo assistencial reforça que a intoxicação por lidocaína pode ter ocorrido por uma absorção rápida atípica e não por erro de dosagem.

O perito argumenta a não realização de exames quantitativos (medição da dose exata), apenas qualitativos (presença da substância), o que fragiliza a tese de “superdosagem”.

Complicações Sistêmicas e o Desfecho Fatal

Ainda segundo o parecer técnico, a morte o resultado de uma combinação fatal de fatores: neurotoxicidade, cardiotoxicidade e uma aspiração pulmonar de conteúdo gástrico.

Além disso, este último ponto sugere que complicações orgânicas imprevistas foram as verdadeiras causadoras do desfecho, e não uma ação deliberada ou negligente da biomédica.

Portanto, Lorena Marcondes, que segue cumprindo rigorosamente todas as medidas cautelares impostas, incluindo o afastamento das redes sociais, aguarda o momento legal para prestar seu depoimento. Portanto, ela vai ser a última a ouvida, conforme garante a legislação, após a oitiva de todas as testemunhas, inclusive daquelas que faltaram.

O processo segue em busca do equilíbrio entre a dor e o direito fundamental de uma profissional de provar que agiu dentro dos limites.

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