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Familiar denuncia horas de espera por corpo de parente antes de velório em Divinópolis

Familiar denuncia horas de espera por corpo de parente antes de velório em Divinópolis

Após morte decorrente de acidente doméstico, familiar relata descaso e falhas estruturais no Serviço Municipal do Luto, com o corpo só sendo recolhido após ajuda de vereador.

Os familiares de Irinéia de Paulo Caetano enfrentaram horas de espera para conseguir receber o corpo da idosa e preparar o velório após a morte ocorrida em Divinópolis.

O relato foi feito à reportagem por um familiar da vítima, que acompanhou diretamente os procedimentos realizados após a morte.

Segundo ele, a primeira informação chegou por volta das 8h15 ou 8h20. A esposa teria avisado que Irineia havia caído da escada.

“Até então, não sabia que ela tinha falecido”, relatou o familiar.

Poucos minutos depois, por volta das 8h30, ele recebeu uma ligação comunicando a morte. O familiar explicou que costuma chamar a avó de “mãe”.

“Informando a mãe morreu. Que eu chamo a minha avó de mãe”, afirmou.

De acordo com o relato, quando chegou ao local, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já estava do lado de fora da residência.

A Polícia Militar também havia isolado a área e, segundo o familiar, aguardava a realização da perícia. O parente afirmou que a família inicialmente não sabia se a morte poderia ter sido provocada por uma convulsão ou um infarto. Entretanto, segundo ele, o certificado de óbito apontou traumatismo craniano como causa da morte.

Corpo é encaminhado ao IML

Ainda conforme o relato, por volta das 11h, o Serviço Municipal de Luto recolheu o corpo de Irineia. O familiar afirma que o corpo foi encaminhado para os procedimentos no Instituto Médico-Legal (IML).

“Para levar para fazer o IML, que é a autópsia”, disse.

Segundo ele, o procedimento foi concluído e o corpo liberado por volta das 17h. A partir daquele momento, a família passou a aguardar a preparação do corpo para a realização do velório.

O familiar conta que entrou em contato com o serviço municipal no início da noite e recebeu a previsão de que o corpo estaria disponível por volta das 22h.

“Que o corpo ia ser liberado às 10h da noite. Beleza, aí até então, eu esperei até as 10h da noite”, relatou.

Enquanto aguardava, ele foi até o local onde ocorreria o velório e começou a organizar a estrutura necessária para receber familiares e amigos.

“Subi para o local do velório, fiz o café”, contou.

A previsão, porém, não se confirmou. Quando chegou o horário informado, o corpo ainda não havia sido preparado. O familiar então voltou a entrar em contato com o Serviço Municipal de Luto para saber o que estava acontecendo.

“Eu queria saber o corpo da minha avó. Como está o corpo da minha avó? Você já está pronto para vir?”, relatou ter perguntado.

A resposta, segundo ele, aumentou ainda mais a espera.

“Não, vai demorar uns 40 minutos, que ainda nem começamos a arrumar ela. A gente vai começar a arrumá-la agora”, teria informado o serviço.

Família informada sobre falta de funcionários

O familiar afirma que, durante o processo, também esteve pessoalmente no Serviço Municipal de Luto. Segundo ele, funcionários explicaram que o serviço enfrentava uma demanda elevada naquele dia.

“Nós estamos com muita demanda, morreu muita gente”, teria informado.

Ainda segundo o relato, a família recebeu outra justificativa para a demora. “Nós estamos com uma situação precária aqui Serviço Municipal de Luto. Nós estamos trabalhando com funcionários reduzidos”, afirmou o familiar, reproduzindo a informação que diz ter recebido.

De acordo com ele, a explicação foi de que havia poucos servidores disponíveis para atender à demanda. A família continuou esperando. Por volta das 22h40, segundo o familiar, uma nova ligação feita ao serviço.

A resposta o corpo chegaria em aproximadamente 20 minutos. O tempo passou novamente sem que a família recebesse o corpo.

“Que o corpo não apareceu. Aí me informaram: “Vai demorar um pouquinho ainda”, contou.

Familiar procura ajuda para conseguir liberação

Diante da sucessão de horários não cumpridos, familiares começaram a telefonar para o Serviço Municipal de Luto em busca de informações. O parente decidiu então procurar Ney Burguer para pedir auxílio.

“Vou ligar para o Ney. Liguei para o Ney Burgui. Acionei o Ney e falei: o Ney, minha avó faleceu”, relatou.

Segundo ele, explicou toda a situação e informou que havia recebido do próprio serviço a justificativa de falta de funcionários.

O familiar também contou que relatou a previsão inicial de liberação para as 22h, que não cumprida.

Ainda segundo o relato, Ney Burguer teria informado que procuraria ajuda.

“Espera que eu vou ligar”, teria respondido Ney, conforme a declaração.

Na sequência, o familiar afirma que recebeu contato. Segundo o familiar, a orientação recebida foi aguardar até 1h.

“O Ney falou assim: ‘Se uma hora da manhã o corpo dela não chegar aí, você me liga’”, relatou.

“Se eu não tivesse ligado, poderia chegar às 2h”, afirma

Na avaliação do familiar, a intervenção foi determinante para reduzir o tempo de espera.

“Se eu não tivesse ligado para o Ney Burgui, e o Ney Burguer não tivesse orientado, o corpo teria chegado lá só às duas horas da manhã”, afirmou.

Ele considera essa a principal explicação para o que chamou de “versão verdadeira” dos acontecimentos.

O familiar também reforçou que a justificativa apresentada pelo serviço municipal estava relacionada à quantidade de mortes registradas naquele dia.

Segundo ele, a informação recebida era de que havia apenas dois funcionários trabalhando.

“Tinha morrido muita gente nesse dia e que estava só com dois funcionários”, afirmou.

A Resposta da Prefeitura e o Reconhecimento das Falhas

Diante da repercussão do caso, a Administração Municipal de Divinópolis emitiu uma nota oficial manifestando profundo pesar e apresentando pedidos formais de desculpas aos familiares de Irinéia de Paulo Caetano.

De acordo com o Executivo, após a constatação do óbito pelo SAMU e a conclusão dos trabalhos periciais pela Polícia Civil, a remoção do corpo devidamente autorizada por volta das 17h.

Contudo, a Prefeitura reconheceu abertamente que, devido a uma “sucessão de equívocos” no atendimento e na logística do Serviço Municipal do Luto, a execução do procedimento de translado só foi finalizada por volta da meia-noite.

A administração municipal pontuou que reconhece os transtornos e a dor adicional gerados à família em um momento tão delicado, informando que instaurará procedimentos internos para apurar detalhadamente as falhas operacionais e adotar medidas corretivas para que episódios semelhantes não voltem a ocorrer na cidade.

Família agradece Prefeitura apesar da demora

Apesar da reclamação sobre a demora, o familiar fez questão de destacar que a família recebeu assistência da Prefeitura durante o momento de luto. Ele pediu à reportagem que o agradecimento registrado.

“Eu tenho muito o que agradecer a eles. “Não esquece de agradecer isso para mim”, afirmou.

Na sequência, reforçou o reconhecimento ao atendimento recebido. “Que a família agradece toda a prefeitura pela assistência, prestou a gente nesse momento difícil”, declarou.

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