Belo Horizonte inicia substituição de animais por veículos elétricos sem custos para trabalhadores; em Divinópolis, vereadores rejeitaram proposta de Flávio Marra que visava extinguir a tração animal.
O cenário da mobilidade urbana e do bem-estar animal em Minas Gerais apresentou, nesta semana, dois caminhos diametralmente opostos que reacendem debates antigos.
Enquanto a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) iniciou, nesta terça-feira (10/02), os testes com veículos 100% elétricos para substituir as tradicionais carroças, Divinópolis ainda lida com as consequências de uma decisão política anterior.
Na capital, o prefeito Álvaro Damião assinou o decreto que preserva os animais e oferece dignidade aos condutores. Já no maior município do Centro-Oeste mineiro, a Câmara Municipal barrou, há mais tempo, o projeto do vereador Flávio Marra, mantendo cavalos e burros submetidos ao esforço de carga nas vias urbanas.
O Exemplo que Vem de Belo Horizonte
A administração da capital mineira apresentou um modelo de veículo elétrico que promete revolucionar a rotina dos carretadores. O projeto prevê a cessão dos equipamentos em regime de comodato, ou seja, um empréstimo gratuito para os trabalhadores cadastrados. O novo modelo oferece proteção contra sol e chuva, além de exigir apenas a habilitação de moto (categoria A) para a condução.
O custo de operação justifica a transição rápida. Conforme detalhou o prefeito Álvaro Damião, o gasto para rodar 100 quilômetros gira em torno de apenas R$ 6 para carregar a bateria.
Dessa maneira, a capital mineira remove o peso do trabalho das costas dos animais e oferece ao trabalhador uma ferramenta mais ágil, barata e humana.
“Queremos que o animal seja preservado, esteja em um ambiente seguro, e que a pessoa que até ontem utilizava o animal para puxar uma carroça tenha conforto e melhores condições”, afirmou Damião.
A Resistência Política em Divinópolis
Em contraste com o avanço tecnológico que BH vive desde terça-feira, Divinópolis permanece em um impasse histórico. O vereador Flávio Marra, conhecido por sua atuação em defesa da causa animal, já havia apresentado na Câmara Municipal um projeto de lei que buscava a proibição gradual do uso de veículos de tração animal na cidade.
A proposta de Marra visava não apenas o fim dos maus-tratos, mas também a transição para métodos modernos que não prejudicassem a renda dos trabalhadores locais.
No entanto, a maioria dos vereadores de Divinópolis rejeitou a matéria em votação anterior. Durante as discussões no plenário divinopolitano na época, os parlamentares contrários ao projeto utilizaram argumentos focados na suposta falta de alternativas imediatas para os carroceiros.
Consequentemente, a rejeição do projeto manteve o status quo, impedindo que Divinópolis avançasse para o modelo de “carroça elétrica” que agora a capital mineira implementa com sucesso.
Os Benefícios da Transição Ignorada
A implementação de veículos elétricos traria benefícios imediatos para o trânsito e a saúde pública de Divinópolis. Além da questão ética envolvendo os animais, a substituição melhoraria o fluxo veicular e reduziria a sujeira nas vias públicas.
Certamente, o custo de manutenção de um motor elétrico, conforme provam os dados de Belo Horizonte, revela-se muito menor do que os gastos com alimentação, ferraduras e cuidados veterinários de um cavalo. Isso quando ocorre.
Portanto, a comparação entre as duas cidades expõe uma lacuna de visão administrativa. Enquanto Belo Horizonte buscou soluções tecnológicas e sociais integradas, a classe política de Divinópolis, ao rejeitar o projeto de Flávio Marra no passado, adiou uma discussão que se torna cada vez mais urgente nas cidades modernas.
O exemplo prático iniciado nesta semana na capital serve como um espelho incômodo para os parlamentares divinopolitanos que barraram a mudança.
Perspectivas para o Futuro no Centro-Oeste
Diante da consolidação da iniciativa na capital, o debate deve ganhar fôlego novamente em Divinópolis. O modelo de Belo Horizonte desmistifica o medo de desamparo aos trabalhadores, provando que o Estado e Município pode oferecer veículos gratuitos e econômicos.
Se a capital mineira consegue viabilizar essa transição, Divinópolis possui o desafio de buscar parcerias ou recursos próprios para uma transição igualmente humanizada.
Em suma, a substituição das carroças por veículos elétricos não constitui apenas uma pauta animalista, mas sim um projeto de modernização urbana e economia.










