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Janeiro Branco: O grito silencioso de uma sociedade no limite do esgotamento

Janeiro Branco O grito silencioso de uma sociedade no limite do esgotamento

Ansiedade, depressão e burnout avançam no país, enquanto preconceito, desinformação e abandono ainda afastam milhões do cuidado psicológico.

O Janeiro Branco escancara uma realidade impossível de ignorar. A saúde mental se tornou uma urgência coletiva no Brasil. Logo no início do ano, a campanha chama a atenção para o crescimento acelerado de transtornos mentais, como ansiedade, depressão e síndrome de burnout, associados à sobrecarga emocional, ao excesso de trabalho e à falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Atualmente, o Brasil ocupa posição alarmante no cenário mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o país lidera o ranking global de transtornos de ansiedade. Mais de 18 milhões de brasileiros convivem com o problema. Além disso, cerca de 11 milhões enfrentam a depressão, condição que compromete humor, energia, produtividade e qualidade de vida.

Ainda assim, parte da sociedade insiste em tratar saúde mental como frescura, fraqueza ou falta de fé. Esse pensamento amplia o sofrimento e afasta pessoas do tratamento adequado.

Ansiedade, depressão e burnout: transtornos mentais em crescimento

A ansiedade se caracteriza pela preocupação constante com o futuro, tensão permanente e sensação de ameaça. Já a depressão provoca tristeza profunda, perda de interesse pelas atividades diárias e isolamento social. Enquanto isso, a síndrome de burnout cresce em ambientes marcados por metas abusivas, cobrança extrema e ausência de pausas.

Além desses quadros, os transtornos do sono surgem como agravantes importantes. Dormir mal desequilibra o sistema emocional, intensifica crises de ansiedade e dificulta a recuperação psíquica. Portanto, ignorar o descanso significa ampliar o adoecimento mental.

Psicóloga alerta: corpo e mente dão sinais que não podem ser ignorados

Diante desse cenário, a psicóloga e professora da Faculdade Una Divinópolis, Flávia Campos, reforça a necessidade de mudanças urgentes na rotina. “Estabelecer limites claros, aprender a se desconectar do trabalho e do uso excessivo do celular, cuidar do sono e praticar um autocuidado real são atitudes fundamentais”, afirma.

Segundo a especialista, o corpo sempre avisa quando algo não vai bem. “Quando o cansaço não passa nem após o descanso, o organismo sinaliza alerta. Por isso, cada pessoa precisa aprender a dizer ‘não’, respeitar seus limites e adotar higiene digital. Dormir bem não representa luxo. Representa manutenção biológica”, explica Flávia.

Relato expõe preconceito contra transtornos mentais no Brasil

Além dos dados, a realidade se torna ainda mais dura por meio de relatos pessoais. Uma pessoa que prefere não se identificar e convive há anos com diversos transtornos mentais classificados no CID F relata o impacto do preconceito social.

“Eu convivo com tudo isso há muitos anos. Por isso, sei o quanto a sociedade precisa de esclarecimento. Em pleno 2026, muita gente ainda trata transtornos mentais como frescura, fraqueza ou falta de Deus”, afirma.

O relato revela uma dor recorrente. “Se eu não tivesse fé, muita fé, eu nem estaria viva. Mas fé não substitui tratamento, escuta e acolhimento humano.”

A situação se agrava quando o preconceito vem de pessoas próximas. “Semana passada, amigas disseram que eu precisava procurar Deus. Eu não aguento mais ouvir isso. Existe muita ignorância em torno da saúde mental”, desabafa.

Postar não cuida: apoio precisa acontecer na vida real

O depoimento também critica a distância entre discurso e prática. “Postar Janeiro Branco e Setembro Amarelo nas redes sociais, não salva ninguém da depressão. Chega de hipocrisia e militância de sofá”, afirma.

Segundo ela, o cuidado precisa acontecer fora das redes. “Sente ao lado. Tome um café. Ofereça escuta. Diga apenas: ‘eu estou aqui’. Não precisa saber o que falar. Presença salva.”

Especialistas confirmam esse ponto. Escuta real, vínculo e acolhimento reduzem o isolamento emocional e fortalecem o tratamento psicológico. Muitas vezes, o silêncio acompanhado cura mais do que frases prontas.

Una Divinópolis oferece atendimento psicológico gratuito à população

Comprometida com o acesso à saúde mental, a Una Divinópolis oferece atendimento psicológico gratuito por meio da Clínica-Escola de Psicologia. O serviço inclui triagem, acolhimento inicial e atendimentos realizados por alunos veteranos supervisionados.

Além disso, a instituição promove rodas de conversa e oficinas abertas à comunidade sobre ansiedade, bem-estar e qualidade de vida. Os atendimentos acontecem na Rua Coronel João Notini, 151, no Centro de Divinópolis. Informações sobre vagas podem ser obtidas pelo telefone (37) 3512-1600.

Janeiro Branco vai além da campanha e exige mudança de atitude

Ao incentivar o diálogo e oferecer suporte concreto, a Una Divinópolis reforça seu papel social. Assim, o Janeiro Branco deixa de ser apenas uma campanha simbólica e se transforma em um chamado permanente à reflexão e à ação.

Por fim, fica a pergunta essencial: como você age com amigos e familiares que enfrentam ansiedade, depressão ou esgotamento emocional? O cuidado começa fora das redes sociais. Ele começa na presença, no tempo e na empatia real.

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