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Lula conversa com Delcy Rodríguez após prisão de Nicolás Maduro e posse interina na Venezuela

Lula conversa com Delcy Rodríguez após prisão de Nicolás Maduro e posse interina na Venezuela

Delcy Rodríguez assume a presidência interina após a captura de Maduro, enquanto o Brasil condena a intervenção armada dos Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com Delcy Rodríguez logo após a confirmação da captura de Nicolás Maduro, informou o Palácio do Planalto. A ligação ocorreu no sábado (3), poucas horas antes de o governo brasileiro divulgar nota oficial condenando a intervenção armada dos Estados Unidos em território venezuelano.

Segundo integrantes do Planalto, a conversa foi descrita como “super rápida” e partiu de Lula visando confirmar as informações divulgadas pelo governo norte-americano. Durante o contato, Delcy Rodríguez confirmou a captura de Maduro e afirmou que, naquele momento, ainda não possuía informações detalhadas.

A conversa antecedeu um dos episódios mais marcantes da crise política na Venezuela. Nesta segunda-feira (5), Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina do país em sessão solene realizada no Parlamento, em Caracas.

Posse interina e reorganização do poder

A cerimônia de posse anunciada e presidida por Jorge Rodríguez, irmão de Delcy e atual chefe do Poder Legislativo venezuelano. Na mesma sessão, também tomaram posse 283 parlamentares eleitos em maio do ano passado.

A composição do novo Parlamento reflete um cenário político altamente tensionado. Apenas um número reduzido de parlamentares é classificado como oposição, grande parte ligada ao partido da líder María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel, que sustenta que o processo eleitoral foi fraudado.

A única ausência registrada foi a da primeira-dama Cilia Flores, presa pelos Estados Unidos juntamente com Nicolás Maduro.

Relação entre Brasil e Venezuela já estava abalada

Os canais diplomáticos entre Brasil e Venezuela vinham apresentando desgaste desde a reeleição de Nicolás Maduro, em julho de 2024. À época, o governo brasileiro questionou o resultado anunciado por Caracas e solicitou a apresentação das atas eleitorais, pedido que não atendido.

Além disso, o Brasil se posicionou contra a entrada da Venezuela no Brics, bloco econômico que reúne países como Brasil, Índia, China e Rússia.

Apesar das divergências, o contato direto entre Lula e Delcy Rodríguez sinaliza a manutenção de um canal institucional de diálogo em meio à crise.

Brasil condena ação militar na ONU

No mesmo dia da posse interina, o Brasil reforçou sua posição no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O embaixador brasileiro, Sérgio Danese, condenou a intervenção armada dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro.

Segundo Danese, não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”. O diplomata afirmou que esse entendimento “abre precedentes perigosos” ao permitir que países mais fortes imponham decisões aos mais fracos, desrespeitando soberanias nacionais.

“O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, declarou o embaixador.

Preocupação com precedente internacional

Na avaliação do governo brasileiro, os bombardeios e a captura do chefe de Estado venezuelano representam uma afronta direta à soberania do país e criam um precedente preocupante para as relações internacionais.

O Brasil sustenta que a Carta da ONU estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo em circunstâncias estritamente previstas.

Enquanto isso, a posse de Delcy Rodríguez inaugura um período de transição política cercado de incertezas, com reflexos diretos na estabilidade institucional da Venezuela e no equilíbrio diplomático da América do Sul.

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